Município de Parauapebas desaparece da lista dos mais promissores do Pará e amarga números negativos de desemprego e inanição
Nota de desaparecimento. Acaba de sumir do mapa dos investimentos nacionais um dos mais prósperos municípios brasileiros, conhecido como "Capital Nacional do Minério de Ferro". Estrela em vários rankings com dados caducos, Parauapebas chegou a ser capa de especial da Revista Exame três anos atrás, no meio de uma crise financeira, figurando como lugar de "melhores indicadores de desenvolvimento econômico do país" justamente quando se tornava um dos que mais desempregavam na nação. Alertas foram disparados acerca das abobrinhas da Exame, que não esteve aqui para checar a realidade dos fatos. Ontem, o município sumiu sem dizer adeus e ninguém sabe onde foi parar. E mesmo que, algum dia, retorne, seu futuro econômico é incerto, já que Parauapebas vive de muletas, caindo e se levantando como manda o figurino do minério de ferro, seu principal (e único) ganha-pão. Parauapebas — que vive no cotidiano e no coração de, pelo menos, 200 mil pessoas — está sendo procurado. Quem souber do paradeiro, favor comunicar à Revista Exame.
-----------------------------------
O editor da fanpage parázão tem de tudo , André Santos, que analisa indicadores socioeconômicos e que por quase cinco anos escreveu para a imprensa do sudeste paraense sobre mineração, meio ambiente, desenvolvimento econômico e social a fim de conscientizar a região sobre seu fim em si mesma, particularmente no que diz respeito aos municípios que vivem exclusivamente da indústria extrativa mineral, acabou de ter uma advertência concretizada: Parauapebas, município pelo qual ele tem tanto amor, desapareceu da mira dos investimentos nacionais por mero amadorismo dos governantes, que insistem em enxergá-lo como lugar de "crescimento".
Por meio do Portal Pebinha tudo de bom, para o qual escreveu voluntariamente a fim de contribuir com a formação da consciência local sobre o desenvolvimento de seu município, ele chamou atenção para os graves equívocos e exageros criados em torno de Parauapebas e que, mais tarde, decepcionariam, tendo em vista as escassas ou quase nulas oportunidades de geração de emprego e renda fora da zona de conforto da mineração e do serviço público municipal.
Parte do resultado das análises que fez, algumas delas criticadas por lunáticos que insistem em querer fazer Parauapebas crescer na marra sem se ater a investimentos basilares (educação, saúde, saneamento básico e segurança, por exemplo), começa aparecer agora nos mesmos estudos que ele tanto condenou haja vista a forma sensacionalista como, no passado, foram divulgados, formando concepção e senso crítico gravemente equivocados sobre a realidade que se vive no município que mais produz minério de ferro no Brasil.
COMO DERRUBAR UM MUNICÍPIO
Em 2016, a Revista Exame passou a divulgar o ranking dos 100 melhores municípios do Brasil para abrir ou investir em negócios. O ranking é elaborado pela consultoria Urban Systems com exclusividade para a Exame e norteia onde estão os polos de oportunidades no país, que tem 5.570 municípios. É uma espécie de bússola para investidores, já que o prestígio da Exame é internacional.
Em sua quarta edição este ano, o levantamento avaliou uma infinidade de indicadores (saúde, educação, saneamento, segurança, infraestrutura, crescimento econômico, mercado de trabalho, gestão fiscal, entre outros) e organizou os municípios de 0 a 27 pontos possíveis.
Desta vez, e como havia sido alertado desde a primeira edição por Santos, Parauapebas sumiu do mapa. Em 2016, mesmo em meio ao início de uma crise financeira perversa, que fez regredir diversas conquistas sociais de anos anteriores, o município virou notícia nacional ao figurar como o 2º melhor do país para investimentos. A consultoria se valeu de números caducos (sobretudo de entre 2010 e 2012, auge do preço do minério de ferro) para ilustrar a realidade daquele tumultuado ano, em que Parauapebas começou a desempregar sem precedentes.
A repórter da Exame que redigiu o texto telefonou à época para André Santos várias vezes, em vários dias, para levantar dados com quem, nas palavras dela, seria "o maior conhecedor de Parauapebas". Mas não se sabe por que a repórter omitiu o nome de Santos na matéria e distorceu mais da metade das informações que ele repassou para permitir a validade do ranking da consultoria, mesmo diante de um panorama real adverso. A reportagem de 2016 da Exame pode ser conferida aqui: <https://exame.abril.com.br/r…/riqueza-com-prazo-de-validade/>.
Em 2017, Parauapebas caiu para 20º, e Santos fez o alerta da surrealidade nesta reportagem:
Ano passado, Parauapebas foi empurrado para 83º, e Santos, mais uma vez, advertiu sobre a realidade municipal em vários textos, entre os quais se destacam
PARAUAPEBAS TOMOU DORIL
Ontem, a Exame divulgou seu mais recente ranking <https://exame.abril.com.br/revista-e…/o-futuro-esta-tracado/>. Não há qualquer menção de Parauapebas, que foi, incrível e lamentavelmente, o município brasileiro que mais perdeu posições ao longo das edições, como Santos avisara estes anos todos.
Isso só mostra que em Parauapebas, mesmo com todo o festival de notícias circenses e pirotécnicas ao longo de toda a sua trajetória, o crescimento — limitado — não acompanhou, e continua sem acompanhar, o desenvolvimento humano, este o qual é o que realmente importa para a manutenção do município em quaisquer rankings onde seja inserido. As falácias de "muito dinheiro", mesmo sendo verdades inconvenientes, jamais tiveram força para equilibrar Parauapebas rumo à sustentabilidade econômica, social, ambiental e moral de que precisa.
É uma pena que tudo isso ocorra e que, ainda assim, nada seja planejado para corrigir, socialmente, os lapsos do passado e do presente que vêm sendo construídos e que, mais tarde, hão de se tornar males maiores, para além das repercussões estatísticas.
Parauapebas é o maior e melhor do Brasil em produção de minério de ferro. É fato. E é o único fato. Tudo o que passar disso é exagero ou mentirinha contada para fazer esquecer um futuro que, embora a Deus pertença, se mostra sombrio. E o exagero e a mentirinha só têm ibope a depender de onde, de quando e de quem estiver a contar.
Infelizmente, esse conto expõe a lástima da história local, sempre tira um ponto e faz a sociedade local regredir econômica, social e moralmente.
De 2º melhor a um "Zé Ninguém", afundado em desemprego e problemas sociais. Parauapebas sofreu duro golpe. E todos, que amamos e ou dependemos do progresso de nosso querido e castigado município, perdemos com isso.

